Brasil venderá 4 milhões de TVs conectadas em 2012, prevê setor

Smart TVs representarão 40% das vendas de tela plana, dizem fabricantes. Com crescimento, surge novo mercado aos desenvolvedores de aplicativos.

O mercado de TVs conectadas no Brasil já amadureceu e conquistou os consumidores, conforme os números das fabricantes divulgados nesta quinta-feira (8). De acordo com os dados da LG, Samsung e Philips, dos 10 milhões de televisores com tela plana que devem ser vendidos até o fim de 2012 no país, 4 milhões permitem acessar aplicativos on-line. Se o ritmo de crescimento continuar, espera-se que 50% das TVs vendidas em dezembro serão conectadas.
“As smart TVs não são mais um conceito. As pessoas já conhecem, ouviram falar ou já têm uma em casa”, disse Milton Neto, gerente-geral da unidade de TV da LG no Brasil, durante o evento TV.Apps, em São Paulo. “Do ano passado para cá, a boa notícia é que já existe uma massa crítica [das TVs conectadas]”. Para Neto, a TV continua sendo a principal tela da casa, mas com diferentes formas de interação.
Hoje, o mercado está deixando de ver a TV apenas como um hardware para enxergá-la como uma solução de conteúdo, segundo Marcelo Natali, gerente de conteúdo das smart TVs da Samsung. “Daqui para frente, o hardware não vai ser importante, mas, sim, o seu conteúdo”, disse. “Outro paradigma importante é a transformação do preço em valor. Ou seja, é entregar junto com a TV, além de uma imagem 3D, formas de acessar o conteúdo on-line ou Netflix por seis meses grátis, por exemplo”, acrescentou.
Agora, o desafio das fabricantes é fazer com que os consumidores acessem o conteúdo das TVs conectadas cada vez mais. “As pessoas estão se conectando. O índice de conexão está aumentando de forma acelerada. Temos com que fazer com que elas usem mais ao trazer conteúdos relevantes para essa nova experiência”, disse Neto.
A audiência da plataforma de smart TV da Philips no Brasil foi duas vezes maior em outubro em comparação a abril deste ano. “O consumidor acessa a plataforma, em média, 50 vezes por mês. Isso mostra que o usuário usa a primeira vez e volta a acessá-la, além de colocá-la na sua rotina e no processo de assistir TV”, disse Luis Bianchi, gerente de marketing digital de smart TV da Philips.
Para Bianchi, o consumidor precisa ver valor na tecnologia das TVs conectadas e entender que ele continuará assistindo à TV, mas de forma diferente. “O usuário continuará assistindo aos mesmos shows, programas e filmes, porém, sob demanda. A força do inédito da TV linear vai continuar, mas haverá outra opção de assistir àquele conteúdo ‘on demand’”, acrescentou.

Aplicativos
Com as TVs conectadas, surge um novo mercado para os desenvolvedores de aplicativos. “O mercado de TVs conectadas já começa a ter uma cara. Já existem profissionais que se autodenominam desenvolvedores de aplicativos para TV”, disse Neto. “Se olharmos para o mercado de celular, […] foi um grande passo fazer as pessoas baixarem aplicativos. Então, podemos aproveitar esse conhecimento e a experiência que os consumidores tiveram em outra tela para trazer à TV conectada”, acrescentou.
Segundo Natali, a loja de aplicativos para TV da Samsung registrou 1 milhão de downloads neste ano. Desse total, 28% foram apps de informação. Conforme Natali, os mais populares são os chamados “tickers”, barrinhas de informações que podem ser vistas em qualquer conteúdo que o usuário está assistindo. “Temos dado uma atenção muito grande ao desenvolvimento de aplicativos. Fizemos o primeiro treinamento com desenvolvedores para a plataforma de smart TV no Brasil e vamos fazer um novo ainda este ano. A ideia é trazer mais desenvolvedores para essa plataforma”, disse Natali.
Profissionais que já desenvolviam aplicativos para smartphones estão migrando para o mercado de TV como uma nova aposta, segundo Sabrina Zaremba, gerente regional de América Latina da Opera Software, que fez parceria com a Sony para levar sua loja Opera TV Store para os televisores conectados da fabricante no Brasil.
“Aplicativo para celular já se provou ser um sucesso. Agora, as empresas estão olhando para as novas possibilidades de distribuição do conteúdo. É um movimento natural de amadurecimento do mercado, que busca novas tecnologias”, explica Sabrina. Ela diz que o mercado vai aprender sobre o que funciona ou não nesse novo mercado. “Se fala muito sobre vídeo, que já se provou ser um grande ativo para a TV. Mas quais outros formatos funcionam e como melhor desenvolver para essa linguagem?”, acrescenta.
Para ajudar os desenvolvedores, fabricantes como LG e Philips fizeram uma aliança para criar uma plataforma única de desenvolvimento de aplicativos para as TVs conectadas. Com a plataforma da Smart TV Alliance, os desenvolvedores podem criar aplicativos que rodam em todos os aparelhos. A cooperação entre as fabricantes ainda disponibiliza kits para desenvolvimento e eventos de treinamento.
“A principal diferença na criação de um aplicativo para TV é na navegação do programa. O conteúdo é quase sempre o mesmo. Porém, na TV, a navegação funciona por controle remoto. Com isso, é necessário ícones maiores e mais simples”, explica Albert Mombarg, da Smart TV Alliance. “Neste primeiro momento, haverá mais desenvolvedores profissionais, que farão aplicativos para as emissoras. Porém, veremos cada vez mais desenvolvedores menores criando aplicativos muito legais”, acrescentou.

Fonte – http://g1.globo.com

Deixe uma resposta